A EXPOSIÇÃO DA PRIVACIDADE NO IMPERATIVO DAS NOVAS RELAÇÕES

Enquanto estivermos imersos na pandemia, o novo normal das relações virtuais se constituíra a forma mais explorada para manter o contato, seja ele profissional ou pessoal.

E, nessa perspectiva, para quem pode ficar em casa, a virtualidade no espaço e dinâmica doméstica é algo inevitável.

Vale notar que muitas pessoas não dispõem de um espaço exclusivo para “se apresentarem” em sua vivencia virtual, fazendo com que seus espaços anteriormente reservados há sua privacidade, sejam expostos sucessivamente.

   Recorro a realidade de professores ministrando suas aulas nos ambientes improvisados de suas salas ou quartos; de entrevistados buscando o melhor espaço em suas casas para as entrevistas. Ambos, torcendo para que os sons da vizinhança contribuam com suas aparições.

A estética da pandemia mostra pessoas em situações ora cômicas ora constrangedores, basta uma simples busca pelo tema para encontrar essas situações de exposição da individualidade, subjetividade e privacidade de quem, muitas vezes, não usava suas interações nas redes sociais para isso.

A sensação de que nossas ações já não pertencem apenas aos domínios de nossas casas, se justificam por essa “nova forma” que estamos construindo de uso do espaço doméstico para encaixar o trabalho e/ou estudos em locais antes reservados a privacidade.

Essa realidade gera diversas formas de sofrimento, desde o excessivo trabalho na ambientação e preocupação com a exposição de si, até a sensação de vigilância e perda de individualidade.

Contudo observe onde essas interações refletem a sua forma de ser, ao invés da construção de um personagem elaborado frente ao imperativo das novas relações. 

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *