A PANDEMIA E O CONFINAMENTO COMO AMPLIFICADOR DO SUICÍDIO EM PESSOAS IDOSAS

O combate a pandemia de COVID-19 tem relação com outros surtos de doenças que acometeram populações pelo mundo.

O Sars-Cov-2 (vírus que causa a Covid-19) que estamos enfrentando agora é um dos vírus da família coronavirus. Além dele, podemos fazer referência ao Sars que atingiu a China em 2002 e o Mers que atingiu o Oriente Médio em 2012.      

Durante a epidemia de Sars o isolamento e distanciamento social também foram medidas adotadas para conter a propagação do vírus, sendo assim, essa experiência não é totalmente nova para alguns países.

Com isso vários estudos e recomendações foram criadas com base nessa e em outras epidemias. Vou me ater aqui aos estudos relacionados à saúde mental das pessoas durante esse processo de distanciamento.

Sabe-se que esse processo causa e/ou amplifica diversos sintomas como: sensação de impotência, angústia, tristeza, irritabilidade e desesperança.

Em pessoas idosas a dificuldade de vivenciar o confinamento e essas situações de desamparo e instabilidade dos vínculos afetivos potencializa estados de solidão, tristeza profunda, depressão e ideação suicida.

Dados do Ministério da Saúde, de 2018, indicam altas taxas de suicídio em pessoas com mais de 70 anos. Em situações de isolamento e distanciamento dos familiares o luto tende a se potencializar, aumentando a vulnerabilidade e os fatores de risco de suicídio.

Um estudo feito em Hong Kong (YIP et al, 2010) mostrou que o impacto das doenças respiratórias, como na epidemia de Sars, aumentou o suicídio em idosos, o que está relacionado, segundo o estudo, ao medo de contrair a doença e de tornarem-se um peso para suas famílias.

Os idosos, como uma faixa da população mais propensa a complicações com doenças respiratórias e comorbidades, como hipertensão e diabetes, tornam-se a parte da população que requer mais atenção e preocupação.

E a forma que muitas vezes esse cuidado é expressado vem atrelado ao pânico, agressividade e isolamento ainda maior.

Uma atenção que muitas vezes aumenta o estigma e impulsiona sintomas de intenso sofrimento em uma população que já é maltratada e esquecida.

A dificuldade para se comunicar com os idosos e a insistência, na maioria das vezes, agressiva de lidar com eles, com rapidez e impaciência gera violência, segregação e negligência.

Frases como “eu já vivi muito”, “não quero dar trabalho para vocês” ou “eu seria mais útil morto” são comuns em idosos deprimidos e agredidos por medidas unilaterais, insensíveis e desrespeitosas.

Outros fatores como a negligência e outras situações de vulnerabilidades e rupturas de direitos também são comuns nesses tempos.

É necessário que se siga uma política de cuidado bem articulada para a população idosa, com base no respeito e no diálogo.

Devemos partir do entendimento e olhar cuidadoso para cada um e com atenção para o bem-estar e cuidado psicossocial.

Para acesso as políticas nacionais consulte: o Plano Nacional de Saúde da Pessoa Idosa, o Estatuto do Idoso e o Plano Nacional do Idoso.


Fontes:

BRASIL, Ministério da Saúde. Secretaria de Vigilância em Saúde. Perfil epidemiológico das tentativas e óbitos por suicídio no Brasil e a rede de atenção à saúde.Boletim Epidemiológico, v. 48, n. 30, 2017.
YIP, P. S. F. et al. The impact of epidemic outbreak: The case of severe acute respiratory syndrome (SARS) and suicide among older adults in Hong Kong. Crisis, v. 31, n. 2, p. 86-92, 2010.

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